
Onde estás, com teus olhos de cigana oblíqua?
Para onde fostes, que o brilho do teu olhar se apagou?
É incrível como a proximidade nos torna distantes,
E o quanto tua falta insiste em me tornar mais confuso.
Perdida em meus versos, buscas neles te encontrar
Quando, na verdade, sou eu que perdido escrevo.
Escrevo sem saber porque, nem pra quê, nem pra quem...
E tu te anuncias como a musa que sempre fostes
E que agora não sei mais se és.
Que contraditórios somos!
Nos afastamos para nos buscarmos,
Nos buscamos para nos afastarmos
E nunca convergimos para o mesmo ponto.
A Beatriz de Dante se perdeu.
A Dulcinéa de Cervantes se faz rara.
E tu?
Permaneces envolta no labirintos dos meus pensamentos.