Para ler ouvindo The only exception - Paramore
Eu já passei por algumas coisas na vida.
Já acreditei no amor com olhos de criança que idealizavam a mulher amada e a tornavam intocável. Levei muito tempo para perceber que quem estragava tudo era eu, tornando a guria um modelo intocável de amor.
Um dia, então, resolvi partir para o oposto: me envolvi com alguém que não tinha nada a ver comigo, na esperança de preencher, no outro extremo, o vazio que o lado de cá sentia. Enxerguei um lado puro, bonito, que só eu via num poço de máscaras sem cor. Idealizei uma vez mais, e chorei pela segunda vez. Chorei porque senti que jamais daria certo com ninguém. Eu amava as criações que fazia das mulheres que tinha. Amava não a elas, mas sim àquilo que nelas eu fantasiava.
Desisti. Resolvi que o problema era meu. Era eu. Não elas. Qualquer pessoa com quem eu me envolvesse conseguiria frustrar os meus sentimentos por não ser aquilo que eu queria que fosse. Tão egoísta, né?
E aí eu te reconheci. Reconheci, mesmo, porque já éramos velhos conhecidos. E o meu comentário desprovido de romantismo e feito no calor de uma noite de carnaval e na ânsia de um superego afrouxado por etanol - mas resistente - à minha amiga e tua irmã nos levou a uma pizza cheia de más intenções.
Ali nós começamos a nossa história, com saída ao cinema, passagens pela Praça Xavier, sorvetes infindáveis, beijos acumulados e uma química sem igual. Escaldado, evitei as expectativas e fugi de ti o quanto pude. Mas tu me envolveste de forma tão certeira que não tive alternativas, pois já não sabia viver sem teus beijos. Mas negava-o. Ou melhor, afirmava que sentia falta de teus gestos, mas não de ti.
Pouco a pouco, fui pisando no desconhecido terreno que se me apresentava. E, aos poucos, porque não esperava nada, encontrei tudo o que eu sempre quisera e nunca tivera. O paraíso me encontrava por eu não mais buscá-lo. Fui surpreendido pela minha falta de esperança.
Tu me encantaste e me fascinas a cada segundo. Contigo eu me sinto pleno, feliz, eu tenho verdadeiros motivos para sorrir.
E, hoje, um bilhete inocente me foi a prova cabal disso tudo. Eu mexia na agenda, escrevia números, fazia contas mecanicamente, até que os meus olhos notaram letras lilases onde eu nada havia escrito. E estes mesmos olhos marejaram. E eu desatei a chorar feito criança. Aquele bilhete, singelo e descomprometido, havia sido a declaração de amor mais linda de toda a minha vida.
Não vou ser hipócrita e dizer que nunca chorei por uma guria. Já chorei oceanos, mas sempre por motivos ruins. Nunca o havia feito tanto, como agora o faço, por felicidade, por sentir um vazio enorme se perder no brilho dos teus olhos e no teu sorriso, a cada manhã em que despertamos juntos, ainda que não diariamente.
E eu te amo como nunca amei ninguém, e sei que também nunca fui tão amado.
Felicidade, tu te chamas Lisiane.
Teu, Gi.
06 de julho de 2012
04:27
