Um belo dia de sol. Um calor dos infernos, e eu busco a sombra necessária para fazer as leituras de que preciso para a seleção. Descansado, abro a minha mochila e dela retiro o bendito livro cuja leitura me pode custar a entrada na pós-graduação. Abro-o, e então...
Percebo que estou sem a aliança. É fatal: gaguejo, a boca seca, o coração acelera e sufoca. Sinto-me como se estivesse cometendo um crime. Como se a estivesse afastando violenta e eternamente. E o que é pior: permitindo por a + b que o inverso seja válido.
Procuro não olhar para o círculo de metal que envolve (envolvia) meu dedo anular. Olho para as linhas, e elas me confundem. Olho para o livro, e ele não é nada. Meus olhos só sabem mirar tua ausência.
Daí começo a rir da situação, e a rir do modo como me conquistaste e te fazes presente. uma aliança! Um simples anel capaz de fazer-me sentir o peso dos crimes que não cometi.
E então escrevo. Escrevo para redimir-me. Escrevo para conciliar-me. Comigo e contigo.
E assim perco meu tempo, porque nem a escrita consegue expurgar a culpa que sinto quando, metonímica e inconscientemente, esqueço de nós.
Nossa. Tudo isso por causa da ausência de uma aliança. Tiro meu chapéu.
ResponderExcluir