domingo, 27 de janeiro de 2013

Luto

Vidas
São ceifadas
Consumidas
Pelo fogo
Pelo álcool
Pela espuma

E a ferida
Tão doída
Tão nostálgica

É o que fica
Do sorriso
Já desfeito
Por saudade
E em brumas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Penélope*

Olha, amiga
eu bem desejo
ver-te de novo
e no teu aconchego
encontrar
novamente
a resposta
para as minhas dores.

Mas esse mundo
tão cheio de flores
que um dia tivemos
hoje é nada
apenas espera
e desespero.

Segue, amiga
segue teu rumo
que eu, perdido,
entre Circes
Calipsos
Andrômacas
hei de um dia
encontrar-te
novamente.

Mas o mar é longo
Os caminhos vãos
E tu, há muito
Já não és meu norte.


* Resposta contraditória a um poema de Lilian Ney. Mas quem disse que o homem não é contradição?

domingo, 13 de janeiro de 2013

Oração a Oxaguian

Oxaguian - Claudia Krindges



Que os males dos meus inimigos encontrem, em teu escudo, reflexo especular.
Que a tua espada abra os meus caminhos e me auxilie na hora precisa.
Que o meu pensamento se eleve a ti
E que eu consiga encontrar a ferramenta necessária
Para pilar os problemas que me afligirem.

Em ti confio
Contigo guerreio
E juntos vencemos.

Porque eu ando vestido com as armas que Jorge te deu
E carrego comigo tua sagacidade e inteligência.

Que eu tenha tua elegância perante os contratempos
E tua agilidade em encontrar soluções.

Que nós sejamos um
E que possamos sempre dançar
Quando tudo parecer perdido.

E, quando Iku chegar,
Que eu te reencontre
De braços abertos
Após uma longa
E vitoriosa
Batalha.

Blavino III - Metapoético

blavino

é o retorno
à origem plena

é prever porvires
de um imenso ir e vir
em crescentes ascensões

que culminam em verso central

e as palavras s'esmorecem
buscando um universo
que é luz-escuridão

e o recriarão
ao fim feliz

doverso.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Blavino II

feito

o dito
está dito

não interdito
maldito desfecho
que não mais se reverte

viver, sim, é des...tru (ir-se)

em  pequenos (mal)feitos
um (a) corda fere
cada palavra

que desfeita
nossangra

[e]dói.

Blavino I

amar

é crescer
dentro de ti

sentir-te nascer
renascendo-me em ti
fundir-nos, dois-um, a sós

nas (re) vira - voltas | da vida

é que desfazem-se os nós
a perderem-se os laços
dos nossos abraços

na tua partida
sou pedaços

e só.



* O blavino é uma forma poética ideada pelos poetas brasileiros Juliana Ruas Blasina e Volmar Camargo Junior. Este reproduz a imagem de um triângulo ou pirâmide, apresentando uma estrutura estrófica 1-2-3-1-3-2-1. O primeiro verso está formado por uma única palavra e os seguintes vão aumentando progressivamente o seu número de sílabas, até alcançar a estrofe de verso único central, que é a linha poética de maior medida. Na segunda metade do poema, a medida das linhas decresce progressivamente até o último verso, que também está constituído por uma única palavra.