
Oh, minha mais doce donzela
minha amada Dulcinea
Contigo vivo a sonhar!
Não sei se é falta dela
mas sei que eu, por não vê-la
olho pra Lua a chorar
Que falta me fazes, donzela
e teu doce caminhar
Para mim és como estrela,
que parte e encerra o luar
Se meu coração trovador
por ti parar de cantar
Saiba, estarei morto, amor
Porque tu és o meu ar
E aos espanhóis de plantão
Que a ela ousarem cortejo
Les digo, navegantes, de antemão
Vejais a ela como eu vejo
Pois se a tratares mal
Eu, como um sertanejo
Os levarei ao portal
Daqueles sem luz nem desejo...
Eu vos adoro tanto, e com tal fervor
que mesmo em face do maior temor
luto com todas as forças que tenho
e se a vejo feliz aí onde estás
ainda que triste por não ver-te mais
em tua felicidade não intervenho
Mas, nos enunciados em que me perco
e me delato, e sofro, e me entrego
Desisto de tentar ser o dono
pois que de ti são todas as palavras
não nego.


