segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Quixote



Oh, minha mais doce donzela
minha amada Dulcinea
Contigo vivo a sonhar!

Não sei se é falta dela
mas sei que eu, por não vê-la
olho pra Lua a chorar

Que falta me fazes, donzela
e teu doce caminhar
Para mim és como estrela,
que parte e encerra o luar

Se meu coração trovador
por ti parar de cantar
Saiba, estarei morto, amor
Porque tu és o meu ar

E aos espanhóis de plantão
Que a ela ousarem cortejo
Les digo, navegantes, de antemão
Vejais a ela como eu vejo

Pois se a tratares mal
Eu, como um sertanejo
Os levarei ao portal
Daqueles sem luz nem desejo...

Eu vos adoro tanto, e com tal fervor
que mesmo em face do maior temor
luto com todas as forças que tenho

e se a vejo feliz aí onde estás
ainda que triste por não ver-te mais
em tua felicidade não intervenho

Mas, nos enunciados em que me perco
e me delato, e sofro, e me entrego

Desisto de tentar ser o dono
pois que de ti são todas as palavras
não nego.

3 comentários:

  1. Puxa, meu Quixotinho... que alma, a tua! Que inspiração, que coisa mais linda, isso que fazes! Estás na linguistica e na língua estrangeira, mas acho que esse dom não se pode perder... Sabes que te queria trabalhando comigo no espanhol, né? Mas olha isso que fazes aqui!
    Lindo, Quixote, lindo!

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  2. A chuva é que choveu comigo...

    É a catarse dos dias solitários...

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