
Quando te queria doce rio, fostes vento árido;
Quando te queria lago, fostes tempestade indomável;
Quando quis-te presa, fostes búfalo selvagem.
Quando, enfim, resolvi ser carrasco de mim mesmo
E querer-te vento, tempestade, búfalo em corrida...
Fostes água límpida, cristalina, previsível caracol imóvel.
E eu, eterno descontente, não te reconheci em todos estes signos!
Busquei vento, e me vi sem ar;
Busquei tempestade, e tive calmaria;
Busquei ser presa, e me vi obrigado a ser predador.
Foi então que, penalizados, transformaram-me os deuses em fonte.
Sou cópia mal feita de mim mesmo.
Cachoeira destruída pela falha estrutura.
Meu problema, do qual eu fugia,
Foi sempre querer-te como te não tinha.
Isso que tu tens é um dom! Um dom lindo! Um olhar se extrema sensibilidade pra vida e pro mundo... Expande essa beleza, gurizinho... Teu texto é matéria-prima! Lindo! Simplesmente, lindo!
ResponderExcluirUm belo tratado sobre thanatos e a antropofagia.
ResponderExcluirDom? Só se for Casmurro...
Nossa que lindo o poema!!!
ResponderExcluirbem deprimente.. capaz..
eu gosto de texto assim que retrata a sensibilidade..
Foi um prazer muito grande ser um poema tão lindo..