
Lendo Neruda, percebi que também posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Versos que cortam o vento como navalhas.
Versos que sufocam o ar como a terra ao soterrado.
Versos que choram pelo simples fato de versificarem.
Versos que desaguam suas dores mais profundas num ato catártico mal efetuado.
É isso: parece que atualmente devemos fazer tudo calculadamente.
Transações, saques, saldos...
De que me importam as relações, se tu me sacaste o meu bem mais precioso?
Levaste contigo o que me restava.
Versos esta noite não diriam nada.
Porque nada é o que sou agora.
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