Ele já havia dito todas as palavras a ela. Todos os olhares tinham a mesma direção, e os lábios verbalizavam apenas repetições, que não cansavam de ser pronunciadas. Ela, em troca, já havia lhe dado presentes aos cinco sentidos: o perfume que o embriagava, a pele rosada que lho punha em delírio, o gosto do desejo que lhe deixava na boca, a voz entrecortada de seus hinos noturnos e o brilho eternamente incansável dos olhos de admiração.
Havia um não-sei-o-quê de reciprocidade, que lhes intensificava a cada dia a retroalimentação feliz dos afetos devotados. Amavam-se porque não queriam mudar o rumo do que sentiam. Amavam-se porque não podiam querer outra coisa. Amavam-se porque, juntos, eram completos.
E não havia obstáculos que não vencessem.
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