Cansei do jogo de forças que travamos. Desse querer e não-querer que de tanto abrir feridas já dilacerou tudo o que havia de bom entre nós. Sinto falta do sorriso e do brilho que eu encontrava nos teus olhos a todo momento. Sinto falta daquela menina que eu amei tanto e por tanto tempo, pouco me importasse ser total e completamente (e eu o sentia) correspondido ou não.
E o que restou de tudo? Músicas que ouço e que me lembram uma era de ouro que mito ou símbolo algum será capaz de descrever, porque as sensações que me despertaram os nossos momentos já não voltam, a não ser pelas boas recordações, que mescladas aos últimos acontecimentos parecem criações imaginárias, não momentos reais.
Não quero mais ter de fingir ser o que não sou só pra não dar o braço a torcer. Cansei! Cansei mesmo. Mas também não vou forçar uma relação de afetividade que parece ter minado.
Só não compreendo o porquê de teus esforços pra minar de vez tanto carinho. É mais fácil odiar e criar asco do que seguir a vida numa boa?
Aprendi muito contigo. Aprendi a nivelar os meus sentimentos e a moderar, também, a expressão deles. Aprendi a estalar o pé de manhã, a ser menos preocupado com o que os outros podem pensar de mim, e aperfeiçoei a minha estranha mania de buscar o lado bom de cada um.
Agora ouço as nossas músicas e me esforço para, conciliando o amor e o nojo e a vergonha que tenho tomado de mim (e de ti) nesses últimos meses, colocar-te numa posição estável dentro de mim. Se já não podes ser a eterna musa, que também não sejas minha perversa vilã.
Os símbolos nos dizem que tudo é duplo. E eu busco em ti, como sempre, o terceiro elemento. Não te quero boa, não te quero má. Te quero humana. Humanamente humana. Digna de falhas, defeitos e virtudes imensas, que nem mesmo no auge do meu asco fui idiota o suficiente para esquecer.
Vive tua vida, criança, e perdoa essas palavras. Mas um pouco de catarse às vezes se faz necessária. Sobretudo quando se tem o hábito de escrever. Parte de mim não quer publicar este texto, porque é um imenso rebaixamento pra ela eu dizer como estou me sentindo pra alguém que aparentemente gosta é de me ver mal, em crise, como se isso fosse incrivelmente delicioso. Se gostas de ser sádica, eu já cansei de ser masoquista.
Segue teu caminho feliz. Te desejo tudo o que há de melhor nesse mundo, e eu espero que tu percebas o quanto sou verdadeiro nessas palavras e o quanto me é difícil dizer tudo o que digo. Não vou mais trocar farpas, nem te jogar na cara todas as palavras imundas que tenho guardadas no peito. Cansei. Cansei, de verdade.
As palavras ruins, hei de enterrá-las para deixar emergirem as boas (e espero que, de agora em diante, vagas) lembranças. Não se pode viver bem quando se mantém presente o espírito daquele que morre.
Não vou forçar a barra e nem estabelecer falsamente um súbito bem-estar contigo. Não quero, de fato, dirigir-te a palavra, pelo menos por agora. Se quiseres falar comigo, aí já é outra coisa. Mas eu já fiz demais hoje, aqui.
O que não quero (e isso serve pra todos os meus amigos) é sair daqui um dia tendo vivido somente mentiras e guardando os piores sentimentos em relação a pessoas de quem gostei tanto.
Engraçado, comecei esse texto ouvindo "Elephant Gun", e agora o encerro ouvindo "Sutilmente". O acaso não poderia ter colaborado de melhor maneira.
Enfim, o que queria dizer com tudo isso, é: vive tua vida, feliz, do teu jeito (que ainda me parece um tanto torpe), mas longe de mim, pra gente não piorar uma situação que já chegou no auge do declínio. Eu sigo torcendo por ti e sigo feliz da vida por acompanhar as tuas vitórias. Fica bem.
Terminei essa carta em lágrimas...
ResponderExcluirLindo