quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tardio

Lâmina a cortar o peito que a afaga:
Ferida que dói, aberta internamente...
Amor é veneno, ao qual só se consente
Que o pobre amante aumente as próprias chagas.

Acreditar na posse de uma ilusão vaga,
Confiar extrema e sinceramente
Que todo o amor dura eternamente
É felicidade que não dura nada.

E assim vos digo, então, ó navegantes:
Sejais como as ondas, que vem e que voltam.
Não desejeis tanto os olhos que vos tocam,
Nem busqueis o amor, carrasco lancinante.

Sejais somente amigos e, se sois amantes,
Deste caminho, sabeis, não retornam
Nem mesmo os valentes e os que se revoltam:
Desamar é inútil para o peito errante.



*Que fique claro, este é um dos poucos textos do blog que NÃO é (ou ao menos não tem a intenção de ser) uma reflexão pseudocifrada. =D

**Meu eu-lírico só precisava de um texto mais melancólico para alimentar-se, já que o eu-psíquico anda tão feliz ultimamente... *-*


Um comentário:

  1. Para variar um pouquinho... AMEI!
    Um beijão meu velho, que tu consigas descrever os sentimentos humanos sempre com essa leveza.
    Te cuida

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