Perdoa o meu jeito torto de te dizer que te amo. Perdoa por brigar, por te fazer todas as injúrias que um mortal possa e por tentar, sempre, mostrar um caminho que eu acho que é melhor porque eu acho que ele é menos doído porque eu acho que tenho que te impedir de sentir dor. Ou talvez eu pense que só eu possa te fazer sentir dor - e o faço tanto! -, a ponto de buscar tua atenção para cada nova venenosa investida argumentativa.
Mas se tu soubesses o quanto eu te admiro e te quero bem, minha pequena, talvez ignorasses o monte de agulhas que lanço da língua e abrisses os braços como anjo da guarda e me afagasses com misericórdia divina. E verias o quanto sou fraco, e como sou frágil e como, independentemente, eu dependo em essência de ti.
E só existo porque tu és o meu outro. E só sou casca porque tu és fruto. E só sou escudo porque és braço que me sustém. E que por trás de todo esse maquiavelismo fraterno estranho há um bem querer incomensurável e sádico, que crê que fazer doer é forma de impedir-te de sentir as dores do mundo.
E que tudo o que eu quero é o teu abraço. O teu riso incontido e as tuas gargalhadas estrondosas. A tua voz de que tanto reclamo e o brilho do olhar que eu tanto venero em segredo.
Queria dizer-te as mais lindas palavras de amor que houvessem entre todas as línguas. Queria mostrar-te as maravilhas do meu mundo fantástico e fictício, mas ele é só um pedaço oco de madeira comida por cupins. E desmorona. E dói. E sofre.
Porque tu és o Atlas do meu universo e porque, sem ti, as memórias da infância são apenas retratos desbotados pelo tempo. Porque contigo somos, ainda que eu finja ser todo. Porque teu riso é parte que me falta, aqui dentro.
O mais lindo.
ResponderExcluirO mais.
Beijo, Gi.
Belo texto!
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