segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Desabafo

Cento e quarenta caracteres são muito pouco pra descrever a saudade que me corrói o peito.
E eles perdem toda sua ínfima importância quando tu sequer dás as caras por lá.
Cada minuto perdido no F5 guarda a esperança (pequena, mas grandiosa) de encontrar teu sorriso no minúsculo quadrado de foto.
Quisera eu ser as teclas de teu computador, e aquele travesseiro que tanto abracei e cheirei hoje cedo.
Quisera aliviar tuas mágoas, e afagando-te as lágrimas, dar-te o conforto da disposição.
Nem Deus sabe o quanto eu queria ser o suor que escorria de teu rosto no calor insuportável que se fazia.
E o quanto olhei nestes olhos querendo-os cerrados num beijo interminável.

É estranho como as noites têm o poder de te trazer à lembrança.
Durante o dia, estando ou não contigo, sou (aparentemente, talvez) feliz, quem sabe. Mas à noite...

A noite me traz o teu beijo, o teu cheiro, os teus cabelos presos na minha barba por fazer.
A noite me traz os teus olhos brilhando, e os meus brilham na contemplação de um retrato que se imerge nas águas salgadas que liberto.

Eu quero e não posso não lembrar de ti.
As músicas que ouço já não me fazem recordar a ti: são a tua materialização em som.

E eu decido por bem próprio não escrever mais.
Mas é a escrita - a maldita escrita de todos os dias - que me alivia essa dor contida e guardada tão fundo no peito pra não transparecer ao mundo o enorme vazio em que me deixaste.

Ahh, ninfa da poesia...
Tira-me este apego por tinta e pena e faz-me alheio às palavras, como tantos outros!
Escrever assim só me traz angústia e inquietação.
Não quero escrever, mas não posso não fazê-lo.
Sou vítima de minhas próprias armas, e cada símbolo converte-se em flagelo interminável.

Não te escreverei mais.
Ao menos não pelos meios comuns.
Deixo aqui os relatos da alma, e tu, quando e se o quiserdes, podes lê-los como extravasão do amor que te devoto e que tento guardar em tão difícil dissimulação.

Porque desamar-te há de ser muito, muito mais doloroso (se puder ser possível) do que qualquer outro sofrimento por que eu tenha passado na trilha tão tortuosa do amar-te.

EU TE AMO, com a mesma intensidade e rapidez com que nos acertamos na primeira troca de palavras.


E a todo minuto tua ausência insiste em doer-me.

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