segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

I

Tu, Penélope,
Com teu amor desmesurado
Esperas Ulisses
Pela infinitude
Das ilusões
De sua ausência.

Ele tardará anos,
Vidas,
Geografias,
Mas tua espera não tem fim:
Aguda e dolorosa
Como as facadas
Do violador
Que gira sobre si mesmo.

O que esperarás tu, Penélope?
Tua virtude é a esperança
De que o tempo seja um bebê
A dar os primeiros passos
E tu, a mão que lho ensina
A engatinhar.

Mas o tempo,
Penélope,
É cruel
E nos consome.


(Roma, 26/12/13, às 8:57)

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