domingo, 8 de novembro de 2009

Olhares

Milhares são os olhares teus que tenho gravados em meu peito. Conheço o olhar sapeca, aquele que vem acompanhado de um sorriso entreaberto e uma língua que é mordida, como que anunciando a trama de um novo plano. Conheço o olhar tristonho, no qual o brilho desaparece e o rosto tenta resistir harmonicamente à vontade de chorar. Há também o olhar luxurioso, aquele que me acende de tal forma que, mesmo que estivestes vestida de freira, ainda assim eu me atrairia por ele. O olhar apavorado, assustado, de uma criança meiga que necessita urgentemente de proteção. O olhar grato por todo o carinho recebido. O olhar de criança mimada, que me obriga a realizar todas as suas vontades. O olhar de mulher companheira, que não me abandona tome eu que decisões tomar. O olhar ciumento, acompanhado de um leve "beicinho", que tentas esconder em determinadas situações. Mas há dois olhares que me rodeiam:
- O olhar vazio, que me intriga e me deixa cheio de vontade de preenchê-lo e torná-lo um olhar feliz, levemente melhor que o olhar de extrema alegria que emanas quando alguém aparentemente indiferente te sorri;
- E o olhar indescritivelmente encantador, que foi o que manifestaste em seu auge no dia de tua primavera. De todos os teus olhares, é este o que busco todos os dias. Porque foi através deste que eu consegui ver com clareza todo o teor de tua alma. Olhar de ressaca. Este, sim, este era como o de Capitu em toda sua plenitude. Olhar dominador, que submete não só todo o teu rosto a uma exposição de extrema doçura, como também me expõe a uma paralisia que não sou capaz de vencer. Porque tudo o que era meu agora te pertence. Porque em ti sou capaz de ver o divino. Porque só em ti penso, e existo.
Olhar que me faz perder o rumo, e reúne em um único momento todas as belezas do mundo. Capaz de me deixar em notável desconforto - eu, que estou tão acostumado às coisas deste mundo! Com ele me levas ao Éden, e em teus beijos materializo todas as sensações que o olhar proporciona.
De repente, perco todos os sentidos por alguns instantes: o cheiro de tua pele aveludada se me foge ao olfato; o gosto de teus lábios, não o sinto; o som de tua voz meus ouvidos não alcançam; o calor do teu corpo não é suficiente para vencer o fogo que em teus olhos encontro. E é assim, por teus olhos, que escrevo estas linhas: porque todos os meus sentidos o imploram.
Por isto, quando Cronos devorar-nos e outros olhos encontrares, não esqueças destes, pois sobre eles não tenho mais domínio. São teus, e de tal maneira teus que, por mais que Morfeu queira levar-me um dia, os teus olhares - todos - neles ficarão gravados, como em minha alma, em eterna contemplação.

EU TE AMO

Gi, 26/10/2009

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