sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ahh, meus amigos...

Nunca acreditei nessa coisa toda de que amigos são a família que nós escolhemos. Entre todas as pessoas que conheço - e, modéstia à parte, constituem um número considerável - , poucas foram aquelas com as quais mantive laços maiores de afeição. E, mesmo assim, meus laços sempre foram atados cuidadosamente, a fim de que minha fita não ficasse prejudicada com a separação dos mesmos. Sempre fui o tipo de rapaz que prezava as poucas, e boas - mas ainda assim um tanto distantes - amizades.
Não fui um menino que levava os amigos à casa, pra jogar videogame (se é assim que pede a nova regra ortográfica, nem sei, pouco importa), futebol, bolinha de gude ou mesmo convidar para os aniversários. Não fui o guri pré-adolescente que fazia "ajuntamento na baia" quando os pais não estavam. Nunca deixei que ninguém conhecesse o Giliard escondido debaixo destes óculos recentes, e sempre escondido detrás de olhos caídos e um corpinho raquítico de menininho nota dez.
Assim, o garoto inteligente escondeu, por um tempo relativo e de um número considerável de pessoas, todo o vigor e beleza que ele detinha: suas boas vontades, sua afetuosidade - extremada a ponto de fazer com que ele tenha crises (sim, só tenho crises com pessoas que valorizo muito!) -, ao mesmo tempo em que seu lado mais maquiavélico, e não é porque o mostrava que não o sentia, era posto em cartaz. O Gi irônico, venenoso, sarcástico, debochado ao extremo, autossuficiente, irritante e incapaz de aceitar opiniões alheias também existe! Tudo bem que, por ser dramático, talvez tenha exagerado ao referir todos estes predicados. Que o julgue aqueles que não apresentam outra face e, se forem capazes de tal façanha, que um dia possam acordar de tamanha ignorância.
Mas o fato é que poucos conheceram a essência desse Giliard multifacetado. E alguns o conseguiram com tal velocidade, mas com tamanha rapidez e destreza, que o garoto aéreo teme o fato de aventurar-se em todo o carinho que nutre por estes seres e de apresentar-se assim: frágil/forte, triste/alegre, e por toda sua natureza dual.
Não foram poucas as pessoas capazes de abrir o invólucro que cobriu este ser - foram RARAS! E todas o conseguiram com um certo pesar do menino que, por medo de toda a transitoriedade desta vida, teme também a perda de tantos amores cultivados no caminho...
Ahh, meus amigos... se vocês conseguissem dimensionar o tamanho de todo o afeto que por vocês eu nutro! Entenderiam o porquê do garoto brincalhão ser às vezes tão calado, tão contemplativo, tão sentimentalista "sem motivo". Não há drama, metáfora ou hipérbole capaz de dizer-lhes o quanto eu os amo, e o quanto sou grato, a cada dia, por ter sido e ter me deixado levar nesta aventura diária: viver, com vocês, os momentos mais felizes de minha vida.

Um comentário:

  1. Não há palavras pra definir o talento desse garoto. Eu não duvido que meus netos estudem Giliard Barbosa como um grande nome no hall dos escritores brasileiros. E, aos que não o conhecem tão de perto, sintam inveja. Imensurável o tanto que vocês perdem.

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