quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O que eu não entendo

Sinto dores. Dores por esse ter-te e não ter-te. Dores por contemplar-te e em vão querer-te. Dores por sentir-te e não ver-te. Dores por ver-te e não sentir-te. São simplesmente dores, e delas se alimenta, triste e sadicamente, o meu peito.
Quero teu abraço. Quero teus beijos mais devotados. Quero teu espírito em euforia quando em meus olhos encontrardes a beleza desta contemplação. Quero sentir o sabor do amor de olhos vendados. Quero não olhar para o lado a cada carinho dado. Quero pouco importar-me com a racionalização que fizerem dos meus sentimentos.
O que sinto ninguém pode descrever, contar, narrar - quem dirá julgar! Não cometo crimes, e se mal a ninguém faço não vejo motivos para a constante vigília. Sou tão feliz contigo! Por que, por que não posso permitir-me a vazão de toda esta felicidade?!
Sei que te preservas por setecentos, oitocentos dias dos quais uns tantos foram de desprezo e dor. Também passei pelo mesmo, e as pessoas com quem nos envolvemos pouco se importaram em divulgar seus consortes. Por que então esta vigília desmedida?
Dizes que me amas muito, e eu te amo com todas as minhas forças. Em nenhum momento meu peito duvida, mas a razão, que me aflige, faz o possível para contrariar minhas alegres expectativas. Ela não entende, não encontra lógica, não justifica.
Vá saber! Há tantas coisas injustificáveis! Nossa relação, o modo como nos conhecemos, a maneira como de repente passaste a ser extremamente significativa em minha existência.
Te sou grato todos os dias por existires, mas sofro toda vez que me escondes.


30/11/2009
CC's lake

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