Procuro chegar aos poucos
Tento não assustar-te
E sou teu peão.
Mas, quando me aproximo
E tu, ninfa das águas,
Te escapas por entre meus dedos
Sou bispo.
Em crise, saio perdido
E busco abrigo em teu seio
Mas tu, aquática, és rio
E eu, então, sou cavalo.
Petrificado na fuga
Ando e não vejo horizonte
Olho pra trás e te busco
No futuro, eu que sou torre.
E a causa de tudo é só tua
Que te moves por todo o espaço
Que te somes sem dar motivos
E que foges de minha guarda.
E eu, limitado, a persigo
Enquanto outras peças me cercam
A executar xeque-mate
Dado todo o meu descuido.
Assim, vendo o meu fim
Suporto o fado do amor
E só fico a pedir-te um favor
Que tu não esqueças de mim.
Porque, feliz ou infelizmente
Por ti eu morro e sofro
E ainda sofro a sorrir
Porque sou teu, minha rainha.
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