Quis-te sob a guarda delicada de meus braços.
Vi-te como lírio incendiado
Que, perdido entre igualdades,
Entre mesmices, iniquidades,
Luta pela distinção.
Pois disso não necessitavas, lírio meu!
Se quando, buscando a diferença,
Tentavas inutilmente parecer-te às outras flores!
Sempre foste da beleza
Ícone, da pureza
A mais bela forma de constatação.
Por que lutaste com afinco,
Perdendo-me no carinho,
Em destruir a contemplação?
Manchaste tua beleza,
Quiseste ser rosa presa,
Com ares de libertação.
E que resta de ti, agora?
Não és mais lírio, nem rosa
Lutaste de forma honrosa
Pra perder teu posto grão.
Detrás do riso da rosa,
Só resta um lírio que chora,
Aflito por salvação.
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