segunda-feira, 22 de junho de 2009

Relações sintáticas


Não sei porque insisto em ver estas imagens que tanto me doem. Um tanto masoquista, visito tuas fotos mais uma vez e vejo nelas a ausência de um "eu" que um dia fez parte de um "nós" e era feliz. O sujeito que constituía tua frase teve seus predicativos substituídos, e os antigos predicativos agora pertencem a outro sintagma nominal. "Triste" passou a ser o modificador do núcleo isolado que dantes formava par num sujeito composto que era uno.
Como todo bom sintagma - deslocável e substituível - tive minhas propriedades fundamentais postas em prática, e agora sou apenas a possibilidade de construção. O que enche meu verbo de adjuntos, intensificando-o, é o fato de que sou eu a conjunção causal desta oração e deste tempo verbal que tende ao pretérito perfeito, mas que ainda não se consolidou como tal.
Quatro porquês se colocam em meu texto, referindo-se a diferentes pronomes (todos os pessoais singulares e um único do número plural). O pronome plural parece estar-se apagando, e o primeiro dos singulares também, em relação ao segundo; fortalecem-se apenas o segundo e o terceiro, que em instantes tornar-se-á o primeiro, quando este houver sido borrado de vez.
Resta-me apenas aguardar por um modificador, ou por um advérbio que torne perene a significação do verbo mais importante que tenho a oferecer em forma de substantivo. Superlativos hiperbólicos me vêm à mente, e lembro que, apesar da aparente minúcia insignificante proveniente da tua forma, tinhas para mim a melhor substância, e o valor que te devotei não encontrei mais em nenhuma enciclopédia linguística.
Não sei se isso tem alguma função apelativa por detrás da poética, mas sei que há uma função não identificada por Jakobson: a transbordante, caracterizada pela emergência de palavras que se dão quando o enunciador não consegue mais suportar a realidade discursiva com a qual se defronta. Em algum momento esgotam os adjetivos, os adjuntos, os verbos, os complementos. Resta apenas um núcleo que, sozinho, só consegue interagir com verbos sôfregos e intransitivos.
Resta também um substantivo abstrato que impossibilita a explicitação do simples - manifesto de forma complexa - nessas linhas. Mas Clio conseguirá compreendê-lo.

Um comentário:

  1. Seria muito mais fácil se nós só nos apaixonassemos por quem gosta da gente.
    Sabe, o melhor de amar é sofrer, lutar e não deixar a pessoa amada ir embora. Mas se ainda assim não der certo, é melhor começar a sofrer por outra pessoa, Gili.
    A busca pela felicidade não pode cessar, nem que pra isso seja necessário sofrer muito.

    Adorei Gili, ficou perfeito. :*

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