"Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me".
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Palavra nenhuma consegue descrever o prazer que senti hoje ao ver o brilho que adornava teus olhos. Quisera que os meus fossem câmeras fotográficas capazes de gravar no papel toda a beleza e plenitude que avistei neles.
Por isso, por não ser nada mais do que um menino bobo e apaixonado quando estou contigo, e por embriagar-me ainda com o gosto do teu beijo, é que utilizo as palavras de Bentinho.
Se nem Machado de Assis conseguira descrever, na voz de Bentinho, o poder dos olhos de Capitu, seria pretensão demais eu, um pobre projeto de poeta enamorado, querer converter aquela manifestação divina em versos.
Só sei que a adoro, mais do que poderia ter imaginado quando te roubei o primeiro beijo.
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